ETFs de criptomoedas à vista: o que são e como funcionam

ETFs de criptomoedas à vista: o que são e como funcionam
22 de setembro de 2025
~7 min de leitura

Os ETFs de criptomoedas à vista estão em destaque há mais de um ano. Aqui está o que são e como esse instrumento mudou a indústria cripto.O lançamento dos ETFs de Bitcoin à vista em janeiro de 2024 tornou-se um dos eventos mais marcantes na história do mercado de criptomoedas. A aprovação do regulador norte-americano, a SEC, tornou o Bitcoin acessível a investidores que preferem operar através de mecanismos tradicionais de bolsa.

Veja como funcionam os ETFs de criptomoedas e como o seu lançamento afetou o mercado.

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O que são ETFs de criptomoedas

Um ETF de criptomoedas é um fundo negociado em bolsa cujas ações são transacionadas em mercados de ações tradicionais. Esses valores mobiliários refletem o valor dos ativos digitais.

Esses fundos podem ser lastreados em criptomoedas reais ou em instrumentos financeiros derivativos. Por derivativos entendemos contratos — como futuros — cujo preço depende do valor do ativo subjacente.

Aqui vai uma analogia simples: suponha que você planeje comprar uma moeda de ouro, mas não queira guardá-la em casa com medo de perdê-la. Em vez disso, você compra um certificado que confirma que possui uma participação em um cofre cheio de moedas de ouro. Esse certificado pode ser facilmente comprado e vendido em uma bolsa, e seu preço é sempre aproximadamente igual ao preço do ouro real. Os ETFs de criptomoedas funcionam da mesma forma — só que em vez de ouro no cofre, há bitcoins ou outras moedas.

Tipos de ETFs de criptomoedas

Os ETFs de criptomoedas podem diferir em sua estrutura e na forma como acompanham o valor de um ativo. O mercado destaca alguns formatos básicos:

  • ETFs à vista — o fundo compra e mantém moedas reais, e as ações refletem o preço de mercado do ativo;
  • ETFs fisicamente lastreados — um subtipo de fundos à vista que enfatiza o fato de possuir e armazenar a criptomoeda;
  • ETFs de futuros — o fundo não possui moedas; utiliza contratos futuros que refletem indiretamente o preço do ativo;
  • ETFs temáticos — focados em segmentos inteiros do mercado cripto, por exemplo DeFi ou infraestrutura blockchain.

Existem também ETFs multiativos — fundos que incluem mais de um ativo. Certamente, novas variantes aparecerão ao longo do tempo.

Como funciona um ETF à vista

A característica principal de um ETF à vista é que o fundo compra bitcoins reais e os armazena junto a um custodiante — uma empresa especializada com cofres digitais seguros. Os investidores não têm acesso direto às moedas: eles possuem ações do fundo que representam uma participação nesses ativos.

As ações são negociadas em bolsas tradicionais por meio de corretores, tornando o processo familiar para os participantes do mercado de ações. Se o preço de uma ação do ETF começa a divergir do preço real do Bitcoin, os formadores de mercado rapidamente alinham esse valor criando ou resgatando ações. Isso mantém o equilíbrio e a transparência.

Estatísticas sobre os ETFs de Bitcoin à vista. Fonte: The Block

Vantagens dos ETFs à vista

O lançamento desses fundos trouxe várias vantagens aos investidores:

  • possibilidade de comprar e vender ações de ETFs através de contas de corretagem já conhecidas;
  • acesso às criptomoedas sem necessidade de configurar carteiras e armazenar chaves privadas;
  • regulação e supervisão pela SEC e outras autoridades;
  • taxas mais baixas em comparação com negociações diretas em exchanges de criptomoedas;
  • possibilidade de incluir criptomoedas em carteiras de aposentadoria e institucionais.

Desvantagens e riscos

Apesar das vantagens, os ETFs à vista apresentam desvantagens:

  • alta volatilidade das criptomoedas, que afeta diretamente o preço das ações do fundo;
  • incerteza regulatória e possibilidade de novas restrições;
  • taxas de administração e despesas que reduzem os retornos líquidos;
  • ausência de propriedade direta do ativo e impossibilidade de usá-lo em transferências ou em DeFi.

Por que as instituições esperavam especificamente um ETF à vista

ETFs de Bitcoin baseados em futuros surgiram nos EUA em 2021, mas não despertaram muito interesse. A razão é que esses fundos refletem não o preço atual do ativo, mas o custo dos contratos futuros. Esses contratos precisam ser renovados regularmente, o que gera custos adicionais e distorce a dinâmica real do mercado. Como resultado, os ETFs de futuros frequentemente ficavam atrás do preço real do Bitcoin e não ofereciam um reflexo claro do valor.

Os investidores institucionais esperavam especificamente por um ETF à vista porque ele fornece um vínculo direto com o preço real do Bitcoin. Para grandes fundos, bancos e sistemas de pensão, isso é crucial: um ETF à vista reduz riscos, torna o ativo mais transparente e líquido, e o integra na infraestrutura familiar.

A aprovação dos ETFs de Bitcoin à vista em 10 de janeiro de 2024 foi um ponto de virada. Já no dia seguinte, as negociações em 11 fundos chegaram a 4,6 bilhões de dólares, e na primeira semana ultrapassaram 20 bilhões. No momento da redação, as entradas especificamente em ETFs à vista são um dos principais motores do crescimento do BTC.

Comparação da participação de mercado: ETFs de futuros vs. ETFs de Bitcoin à vista. Fonte: The Block

Cronologia da aprovação nos EUA

As tentativas de lançar um ETF à vista começaram em 2013, quando os irmãos Winklevoss solicitaram o Winklevoss Bitcoin Trust. Na época, a SEC o rejeitou, alegando riscos de manipulação e proteção insuficiente aos investidores.

Sob a presidência de Jay Clayton na SEC (2017–2020), o regulador adotou uma linha dura e rejeitou todas as solicitações, explicando que não havia mecanismo confiável de monitoramento do mercado de criptomoedas.

Com seu sucessor, Gary Gensler (desde 2021), a situação mudou gradualmente. Primeiro, a SEC aprovou apenas ETFs de Bitcoin baseados em futuros e depois — sob pressão do mercado e após uma decisão judicial favorável à Grayscale em agosto de 2023 — voltou a considerar produtos à vista.

Em 16 de outubro de 2023, a Cointelegraph publicou no X (antigo Twitter) que a SEC teria aprovado a solicitação da BlackRock para um ETF de Bitcoin à vista. A notícia provocou uma alta instantânea no preço do Bitcoin para 30.000 dólares, mas logo se revelou falsa. A Cointelegraph pediu desculpas e reconheceu um erro de verificação; ainda assim, em poucas horas os traders perderam cerca de 190 milhões de dólares. O incidente mostrou o quanto o mercado é sensível ao tema dos ETFs.

Em 9 de janeiro de 2024 — um dia antes da decisão oficial — a conta da SEC no X publicou uma mensagem anunciando a aprovação dos ETFs de Bitcoin à vista. O Bitcoin subiu imediatamente para 48.000 dólares, mas 20 minutos depois houve uma correção. Descobriu-se que a conta havia sido hackeada. Depois disso, o preço caiu mais de 6%, provocando a liquidação de grandes posições. O incidente minou a confiança nos canais oficiais da SEC e atraiu críticas da comunidade cripto e de senadores dos EUA.

Em 10 de janeiro de 2024, a SEC sob Gary Gensler aprovou de uma só vez 11 solicitações para lançar ETFs de Bitcoin à vista. A negociação das ações começou em 11 de janeiro.

O futuro dos ETFs de criptomoedas

Os fundos à vista para Bitcoin e Ethereum foram apenas o primeiro passo. ETFs para outras criptomoedas podem surgir no futuro. O principal vetor de desenvolvimento é integrar ativos digitais às finanças tradicionais, com ênfase em regulação e confiança institucional.

Conclusão

O lançamento dos ETFs de Bitcoin à vista foi uma etapa importante no desenvolvimento da criptoeconomia. Os fundos abriram o acesso ao Bitcoin e ao Ethereum para milhões de investidores, tornaram o mercado mais maduro e transparente, mas mantiveram os principais desafios: volatilidade, competição e dependência dos reguladores.

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