Cocoon: a nova era da IA privada com Telegram e TON

Cocoon: Como o Telegram e o TON Iniciam uma Nova Era da IA Privada
30 de outubro de 2025
~6 min de leitura

Em 29 de outubro de 2025, Pavel Durov apresentou o projeto Cocoon — Confidential Compute Open Network — em Dubai, durante a conferência Blockchain Life 2025. Essa rede, construída sobre o blockchain TON, foi projetada para cálculos de inteligência artificial seguros e confidenciais. O anúncio não trata apenas de um novo produto tecnológico, mas de uma tentativa de repensar o que a IA deve ser em um mundo em que a privacidade se tornou rara.

A equipe editorial da Quickex analisou os detalhes do projeto. Explicamos o que é o Cocoon e como Durov planeja mudar o mercado de IA com ele.

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Por Que o Mundo Precisa do Cocoon

Os sistemas modernos de IA dependem de computação em nuvem centralizada. Quando um usuário interage com ChatGPT, Google Gemini ou Anthropic Claude, suas solicitações e conteúdos passam pelos servidores da empresa, onde são armazenados, analisados e possivelmente usados para treinar modelos.

Nos últimos dois anos, isso já levou a uma série de escândalos:

  • Em 2023, ocorreu um vazamento de dados no Google Cloud que afetou clientes corporativos, incluindo elementos de solicitações confidenciais de IA.
  • Em 2024, descobriu-se que algumas solicitações de usuários do ChatGPT foram usadas em conjuntos de testes sem o consentimento deles.
  • E em 2025, investigações de vários veículos de imprensa mostraram que grandes plataformas de IA filtram respostas por critérios políticos e geográficos, transformando os modelos em instrumentos de controle.

O Cocoon oferece uma abordagem diferente. Aqui, o processamento das solicitações não ocorre em servidores de uma única empresa, mas em uma rede distribuída de dispositivos, na qual os dados permanecem criptografados em todas as etapas. O proprietário da GPU recebe uma recompensa por participar dos cálculos, mas não tem acesso ao conteúdo das solicitações.

Isso não é apenas proteção de dados — é devolver aos usuários o controle sobre como a inteligência artificial funciona.

Como o Cocoon Funciona

O Cocoon é baseado na tecnologia de computação confidencial — um método em que os dados permanecem criptografados mesmo durante o processamento. Esses cálculos podem ser executados usando ambientes de execução confiáveis (TEE) ou protocolos criptográficos multipartes, eliminando o risco de vazamentos.

A rede conecta proprietários de GPUs que fornecem poder computacional e desenvolvedores que executam inferências de IA. Todas as interações e pagamentos são processados pelo blockchain TON. Contratos inteligentes registram quem forneceu quantos recursos, e as recompensas são pagas em Toncoin (TON).

Na prática, o Cocoon transforma GPUs em partes de um supercomputador distribuído, governado pela tokenomia e protegido por criptografia.

A Origem do Projeto: TON e o Histórico de Confronto com Reguladores

As ideias incorporadas no Cocoon estão diretamente ligadas à história do TON. Em 2018, Pavel Durov lançou o The Open Network como blockchain para o Telegram. Mas em 2020, o projeto enfrentou forte pressão da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC). O órgão acusou a Telegram Group Inc. de oferecer ilegalmente tokens Gram no valor de US$ 1,7 bilhão, considerando-os valores mobiliários não registrados.

Como resultado, Durov teve de encerrar o projeto e devolver o dinheiro aos investidores. No entanto, a comunidade de desenvolvedores continuou o trabalho, criando a fundação independente TON Foundation, que amadureceu a tecnologia.

Agora, cinco anos depois, Durov retorna ao TON com uma missão diferente — não emitir um token, mas construir infraestrutura para inteligência artificial privada.

O Cocoon Pode Cair na Mira dos Reguladores?

Esse cenário não pode ser descartado. O Cocoon é uma rede na qual os usuários recebem recompensas em Toncoin por cálculos realizados. Em algumas jurisdições, tais modelos podem ser interpretados como programas de investimento ou pools de computação distribuída, atraindo a atenção de autoridades financeiras.

No entanto, o Cocoon tem uma diferença importante em relação ao caso Gram: o projeto não é um instrumento de captação de recursos, não emite novos tokens e opera dentro do ecossistema existente do blockchain TON. Além disso, seu modelo de negócios é baseado em um serviço de infraestrutura real — a computação — em vez de especulação de ativos.

Dito isso, a questão da regulamentação das redes de IA descentralizadas permanece em aberto. Assim que o Cocoon começar a atender cargas comerciais significativas, provavelmente precisará interagir com reguladores sob as mesmas regras aplicadas às plataformas de nuvem.

DePIN e o Lugar do Cocoon Entre as Redes Distribuídas

O Cocoon pertence à categoria DePIN — redes de infraestrutura física descentralizada. São ecossistemas em que os usuários fornecem recursos reais — computação, energia, armazenamento e conectividade — e recebem recompensas em tokens.

Os maiores projetos DePIN atualmente incluem:

  • Render Network
  • Akash
  • io.net
  • Bittensor

A Render é especializada em renderização de GPU e tarefas visuais. A Akash oferece servidores em nuvem distribuídos. A io.net coordena clusters de GPU para aprendizado de máquina. A Bittensor cria um mercado para troca de conhecimento entre modelos de IA.

O Cocoon difere de todos eles em três aspectos:

  • Foco total em inferência privada, e não apenas em computação distribuída.
  • Integração com o Telegram — a base de usuários já existente e o ecossistema Mini Apps garantirão demanda desde o primeiro dia.
  • Uso do TON como blockchain de liquidação, simplificando a arquitetura e aumentando a velocidade das transações.

Na essência, o Cocoon combina os melhores elementos dos modelos DePIN existentes e adiciona o elemento que faltava — a confidencialidade.

De Onde Durov Tirou Inspiração

O Cocoon mostra influência de várias áreas tecnológicas:

  • Sistemas empresariais de computação confidencial (Intel SGX, Google Confidential VM), nos quais os dados são processados em ambiente criptografado.
  • Redes de GPU tokenizadas, como a Render, em que os usuários são pagos pelos recursos computacionais.
  • A filosofia Web3, centrada na proteção de dados e na governança descentralizada.

Na prática, Durov adaptou à IA os mesmos princípios que aplicou originalmente no Telegram: ausência de intermediários, independência do usuário e resistência à pressão externa.

Escala e Comunidade

O interesse pelo Cocoon está crescendo rapidamente. O canal oficial do projeto no Telegram já tem quase 150 mil assinantes — um resultado impressionante para uma iniciativa que ainda nem foi lançada oficialmente. Isso demonstra a demanda por soluções de IA descentralizadas e a confiança nas marcas Durov e TON.

Por Que o Cocoon Pode Mudar o Mundo

O Cocoon aborda três problemas sistêmicos da era digital:

  • Concentração de poder. As empresas de IA centralizadas controlam não apenas a computação, mas também a percepção da informação. O Cocoon oferece um modelo em que o controle é devolvido aos usuários.
  • Opacidade dos algoritmos. Em uma rede distribuída, o comportamento dos modelos e a cadeia de cálculos podem ser registrados no blockchain, aumentando a confiança e a verificabilidade.
  • Inacessibilidade da infraestrutura. A descentralização abre as portas para a participação em massa — qualquer pessoa pode contribuir fornecendo uma GPU e ganhar recompensas.

Se o TON foi um passo rumo à independência financeira, o Cocoon é um passo rumo à independência intelectual. Ele transforma a inteligência artificial de uma tecnologia fechada em um ecossistema aberto, no qual cada participante da rede é não apenas um consumidor, mas um coautor.

Conclusão

O Cocoon não é apenas um projeto do Telegram. É uma tentativa de redefinir o equilíbrio entre tecnologia, usuários e corporações.

Ele une descentralização, criptografia e inteligência artificial em um único modelo de computação, no qual a confiança é garantida não por leis e contratos, mas pela matemática e pelo código.

A TON Foundation resumiu bem: “AI meets TON”. Mas por trás dessa frase há uma ideia de liberdade digital que pode mudar a própria estrutura da internet do futuro.

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