
A blockchain do Monero sofreu o maior ataque de sua história — uma reorganização de 18 blocos, durante a qual dezenas de minutos de histórico foram reescritos e centenas de transações foram anuladas. Com este evento, intensificaram-se as discussões sobre se outras criptomoedas, incluindo o Bitcoin, também podem estar em risco.
A equipe da Quickex decidiu investigar o que exatamente aconteceu e quais conclusões o mercado deve tirar.
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Reversão na história do Monero
Tudo começou com uma reorganização inesperada da cadeia, que se tornou a mais profunda de toda a história do Monero. A equipe do Bitcoin News foi a primeira a informar que, como resultado do ataque, 118 transações confirmadas foram canceladas. A confiança na estabilidade da rede ficou ameaçada. Vale lembrar que a rede Monero ficou sob o controle da Qubic no verão de 2025. A equipe do projeto ainda não conseguiu eliminar a ameaça.

Reorganização de blocos do Monero, destacada pelo Bitcoin News
Diante do incidente, alguns membros da comunidade afirmaram que o Monero pode não sobreviver ao que aconteceu.
A investigação mostrou que o pool de mineração Qubic estava por trás do último ataque. Foi o seu poder que permitiu reescrever a história da blockchain e assumir temporariamente o controle da rede. Mas o próprio projeto não considera suas ações destrutivas. O fundador da Qubic, Sergey Ivancheglo (CFB), enfatizou que não planeja destruir o Monero. Suas palavras soaram especialmente duras: o Monero permanecerá porque o Qubic quis que o projeto vivesse.
Reação e críticas
A reação ao ataque foi mista. Parte da comunidade insiste que o Qubic não é um projeto hostil, mas apenas testa novas soluções e as verifica na prática. Ivancheglo é uma figura de destaque na indústria há mais de dez anos. É conhecido como autor de várias inovações. Portanto, alguns observadores perceberam o incidente mais como uma demonstração de força do que como uma tentativa de destruir o Monero.
No entanto, analistas independentes veem a situação de forma diferente. Vini Barbosa afirmou que o Monero continua a sofrer ataques de mineração egoísta. Esse método consiste em um minerador reter deliberadamente os blocos encontrados e publicá-los com atraso para enganar a rede e aumentar sua parte das recompensas às custas de outros participantes. Segundo Barbosa, apenas nas últimas 24 horas, quase um terço dos blocos se tornaram órfãos. Diante disso, ele se recusou a aceitar XMR como pagamento até que a rede se estabilize e recomendou definir pelo menos 20 confirmações para as transações.
O analista MetaRyuk acrescentou que o modelo econômico do Qubic está ligado à mineração de Monero e à posterior venda de XMR para comprar tokens QUBIC. Apesar das ameaças e declarações contundentes do fundador, nos últimos 30 dias o Monero subiu 33%, enquanto o Qubic caiu 35%.

Gráfico do Monero. Fonte: TradingView
Interessante! O crescimento do XMR pode estar ligado a rumores de que o Qubic recomprará Monero para posteriormente recomprar seus próprios tokens.
Ao mesmo tempo, a Wise Advice chamou a atenção para o fato de que a maior reorganização do Monero, que reverteu 18 blocos e excluiu 117 transações, é um sinal preocupante para a criptomoeda. Os autores da publicação enfatizaram que o incidente também se tornou um teste de resiliência para outras criptomoedas.
Em que a equipe do Monero está trabalhando
Apesar do duro golpe à sua reputação, os desenvolvedores do Monero continuam a trabalhar no desenvolvimento do projeto. Eles se concentraram no desenvolvimento do cliente Cuprate e na integração das ferramentas Full-Chain Membership Proofs (FCMP++) ao código-base do Monero. Essa tecnologia deve fortalecer o sistema de provas na rede e aumentar sua resistência a manipulações.
Ao mesmo tempo, parte da comunidade cripto critica a equipe do Monero por tentar criar a impressão de que nenhuma reorganização de blocos ocorreu. Segundo os céticos, essa posição mina a confiança na transparência do projeto e levanta questões adicionais sobre sua disposição em reconhecer vulnerabilidades.
Bitcoin sob ameaça
O caso do Monero mostrou: mesmo blockchains maduros podem se revelar vulneráveis a um ataque de um pool poderoso. A comunidade já discute se um cenário semelhante poderia afetar o Bitcoin no futuro. Por enquanto, isso parece improvável devido ao hashrate muito mais alto da rede, mas o simples fato de que a maior moeda anônima foi atacada fez muitos refletirem sobre os riscos para todo o ecossistema.
As preocupações também foram alimentadas pelo próprio Ivancheglo. Em resposta a uma publicação sobre uma carteira da era Satoshi que foi ativada, ele escreveu que as baleias do Bitcoin deveriam parar de tentar difamá-lo. Caso contrário, o quórum do Qubic pode decidir começar a minerar Bitcoin depois do Dogecoin. Nesse caso, as consequências para os ativos dos grandes investidores seriam imprevisíveis. Ivancheglo aparentemente ameaçou a comunidade do Bitcoin com um ataque de 51% seguindo um cenário já conhecido.
Conclusões
O ataque ao Monero mostrou que mesmo projetos maduros que construíram reputação ao longo dos anos podem ser vulneráveis. A reorganização de blocos realizada pelo pool de mineração Qubic tornou-se um sinal preocupante não apenas para a comunidade Monero, mas para todo o mercado cripto. Ela revelou pontos fracos nos mecanismos de proteção e lembrou que descentralização nem sempre significa segurança.
Ao mesmo tempo, a reação do mercado foi inesperada: o Monero conseguiu valorizar, enquanto o token Qubic perdeu uma parte significativa de seu valor. Isso pode ser interpretado como evidência da confiança dos usuários no projeto mesmo em tempos de crise, mas essa confiança pode se revelar frágil se os desenvolvedores não encontrarem soluções rápidas e convincentes.
A discussão em torno das ações e declarações de Sergey Ivancheglo mostrou como as personalidades ainda influenciam fortemente a percepção das iniciativas de criptomoedas. Suas insinuações sobre a possibilidade de o Qubic mudar para a mineração de Bitcoin apenas aumentaram a tensão.
Enquanto isso, a equipe do Monero demonstra sua disposição para o desenvolvimento, mas enfrenta críticas pela falta de transparência. Isso destaca um problema central: o futuro dessas redes depende não apenas da tecnologia, mas também da confiança, que é construída ao longo de anos e pode ser abalada em apenas alguns dias.
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