Por que o bitcoin caiu e o que vem a seguir

Por que o bitcoin caiu e o que vem a seguir
5 de novembro de 2025
~7 min de leitura

A noite de 4 para 5 de novembro de 2025 foi difícil para a comunidade cripto. Pela primeira vez desde o verão, o bitcoin “mergulhou” abaixo de US$ 100.000, fazendo muitos investidores temerem seriamente que o mercado entrasse em um inverno cripto.

Explicamos por que o bitcoin caiu, o que a queda do mercado provocou e se há esperança de recuperação.
Acompanhe como o preço do Bitcoin reage às notícias econômicas com a Quickex.

O que aconteceu

Na noite de 4 para 5 de novembro de 2025, o bitcoin caiu abaixo de US$ 100.000 pela primeira vez desde o verão de 2025. De acordo com o CoinMarketCap, a mínima de 24 horas da criptomoeda foi registrada em US$ 98.962. A queda começou em 3 de novembro e chegou a ultrapassar 10% em determinado momento.

Gráfico do bitcoin. Fonte: TradingView.

No momento em que este artigo foi escrito, o BTC estava sendo negociado 18,76% abaixo do recorde histórico, registrado em 6 de outubro, em US$ 126.198.

Por que o bitcoin caiu

A queda do bitcoin foi resultado de uma combinação de fatores. Vamos analisá-los.

Instituições recuaram

De acordo com a 10x Research, investidores de longo prazo venderam cerca de 400.000 BTC em um mês — aproximadamente US$ 45 bilhões.

“Rompemos níveis importantes on-chain, e muitos ficaram no prejuízo, sendo forçados a fechar posições”, observou Markus Thielen, chefe de pesquisa.

Grandes detentores, com entre 1.000 e 10.000 BTC, reduziram sua atividade, deixando o mercado sem o suporte habitual.

Ao mesmo tempo, pela primeira vez em sete meses, as compras institucionais líquidas ficaram abaixo do volume de emissão diária — um sinal preocupante para um mercado acostumado a fluxos constantes de capital.

Volume de compras institucionais vs. ritmo de mineração de bitcoin. Fonte: Capriole Invest.

Pressão dos fundos e do cenário macroeconômico

Nas últimas quatro semanas, as saídas acumuladas dos ETFs de bitcoin e Ethereum ultrapassaram US$ 1,5 bilhão, incluindo US$ 403 milhões do iShares Bitcoin Trust e US$ 68 milhões do Grayscale GBTC. A correlação com o Nasdaq 100 subiu para 0,75: quando o índice cai mais de 1,5%, o bitcoin geralmente replica o movimento.

O cenário piorou após a reunião do Fed: embora a taxa tenha sido reduzida em 25 pontos-base, a incerteza em torno da política orçamentária dos EUA e o risco de um shutdown superaram o efeito de alívio, levando os investidores a se afastarem temporariamente dos ativos de risco.

“Outubro podre” e o efeito das liquidações

O analista da K33 Vetle Lunde chamou outubro de “Outubro Podre”, observando que os últimos 30 dias foram os piores do bitcoin em relação ao Nasdaq desde meados de 2024. Segundo ele, o mercado cripto está lidando com as consequências do maior processo de desalavancagem forçada da história — cerca de US$ 20 bilhões em liquidações em 10 de outubro.

“O medo gerado por esse evento, combinado com as vendas de investidores de longo prazo, intensificou a fraqueza do mercado, pois os compradores preferem esperar”, disse ele.

De acordo com Lunde, o bitcoin está em um ponto de inflexão crítico — cerca de 25 dias após o colapso de 10 de outubro. Seu modelo de ciclos de derivativos mostra uma combinação de sinais de fundo local e o início de uma tendência de baixa. Ele observa que mais de 319.000 BTC mantidos entre seis e doze meses foram ativados em outubro — parte dessas moedas foi vendida para garantir lucros.

Mesmo assim, Lunde acredita que a queda atual se parece mais com uma fase de consolidação após liquidações em massa do que com o início de um novo ciclo de baixa.

“Esperamos que a pressão de venda dos antigos detentores diminua e que os efeitos das liquidações comecem a desaparecer. As condições podem se equilibrar para uma possível reversão de alta quando a oferta se esgotar e o apetite por risco retornar”, disse o analista.

Sinais técnicos e risco de virada para o mercado de baixa

De acordo com o CryptoQuant, o bitcoin caiu abaixo de sua média móvel de 365 dias, o que historicamente coincidiu com o início de fases de baixa — como ocorreu em 2022.

“Essa foi a confirmação final do início de um mercado de baixa”, observou Julio Moreno, chefe de pesquisa da plataforma.

Bitcoin em relação à média móvel de 365 dias. Fonte: CryptoQuant.

Os analistas do Cointelegraph acrescentam que a atual queda de 21% em relação ao pico é “uma correção normal dentro de um ciclo de alta, não o início de um inverno cripto”. Segundo Andri Fauzan Ajiima, da Bitrue, “esta é apenas a quarta correção no atual ciclo de alta — uma limpeza rotineira, não o início de uma queda prolongada”.

Ao mesmo tempo, os analistas da Glassnode observam que o preço do bitcoin rompeu o nível-chave de US$ 100.000 e agora caminha para a faixa de US$ 98.000–95.000, onde há uma concentração de liquidações. Eles também apontam que a atividade de posições longas em futuros perpétuos caiu 62% desde agosto, indicando enfraquecimento da demanda especulativa e maior cautela.

Fator psicológico: medo, FUD e baleias

Durante a queda, rumores e pânico se intensificaram. O fundador da Binance, Changpeng Zhao, pediu que os participantes do mercado mantenham a calma:

“Há muito medo, incerteza e dúvida no mercado. As pessoas estão sentindo dor, ansiedade e nervosismo. As baleias se aproveitam disso — espalham negatividade e lucram com ela. Aprendam a verificar informações e consultar fontes oficiais.”

Previsões divergentes: de ‘mercado de baixa’ a sinal de compra

O trader Doctor Profit tem certeza: “Isto não é uma correção, mas o início de um mercado de baixa.” Ele espera que o bitcoin caia para a faixa de US$ 54.000–60.000 até o outono de 2026.

Ao mesmo tempo, Matt Hougan, da Bitwise, acredita que o mercado está próximo da fase final de vendas. Em sua visão, “os investidores de varejo estão no auge do desespero, enquanto as instituições continuam interessadas.” Ele prevê uma recuperação para US$ 125.000–130.000 até o fim do ano e, em condições favoráveis, até mais.

O analista Vetle Lunde compartilha uma visão semelhante. Segundo ele, a política monetária expansionista, o possível acesso das criptomoedas aos planos de aposentadoria 401(k) e a participação dos maiores bancos contradizem a hipótese do “pico do ciclo de quatro anos”.

“Comprar no sangue é uma estratégia sensata para investidores pacientes e de longo prazo”, conclui ele.

Apesar do esfriamento do interesse geral, alguns participantes continuam acumulando bitcoin ativamente. De acordo com o CryptoQuant, carteiras que compram e nunca vendem adquiriram 375.000 BTC em um mês — um recorde histórico. Somente em 5 de novembro, adicionaram 50.000 BTC, aproveitando a queda abaixo de US$ 100.000.

“Embora a demanda geral tenha enfraquecido, esse não é o caso desses investidores”, observou o analista Darkfost.

Perspectivas

O bitcoin permanece em uma zona de incerteza. Os dados on-chain indicam uma queda na atividade especulativa e um esgotamento dos traders de curto prazo, enquanto os fundos institucionais e as carteiras acumuladoras começam a mostrar renovado interesse.

Se os níveis em torno de US$ 98.000 se mantiverem, o mercado pode entrar em uma fase de consolidação. Caso contrário, a previsão de Doctor Profit de uma queda para US$ 60.000 pode se tornar o cenário base para o fim de 2025.

Exchange de criptomoedas rápida oferecida pela Quickex.

5.0
(1 nota)
Clique em uma estrela para avaliá-la

Você envia:

Você envia:

Rede

Flutuante

Você recebe:

Você recebe:

Rede